Se precisar, peça ajuda!

Segundo a Organização Mundial de Saúde, todos os anos, mais pessoas morrem como resultados de suicídio do que HIV, malária, câncer de mama ou guerra e homicídios

Todos nós devemos atuar ativamente na conscientização da importância que a vida tem e ajudar na prevenção do suicídio, tema que ainda é visto como tabu. É importante falar sobre o assunto para que as pessoas que estejam passando por momentos difíceis e de crise busquem ajuda e entendam que a vida sempre vai ser a melhor escolha.

Quando uma pessoa decide terminar com a sua vida, os seus pensamentos, sentimentos e ações apresentam-se muito restritivos, ou seja, ela pensa constantemente sobre o suicídio e é incapaz de perceber outras maneiras de enfrentar ou de sair do problema. Essas pessoas pensam rigidamente pela distorção que o sofrimento emocional impõe.

Se informar para aprender e ajudar o próximo é a melhor saída para lutar contra esse problema tão grave. É muito importante que as pessoas próximas saibam identificar que alguém está pensando em se matar e a ajude, tendo uma escuta ativa e sem julgamentos, mostrar que está disponível para ajudar e demonstrar empatia, mas principalmente levando-a ao médico psiquiatra, que vai saber como manejar a situação e salvar esse paciente.

Fonte: Associação Brasileira de Psiquiatria

A conscientização e o suporte podem fazer a diferença

O suicídio é uma questão de saúde pública grave que afeta milhões de pessoas ao redor do mundo. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima-se que mais de 1 milhão de pessoas cometem suicídio a cada ano em todo o mundo, incluindo os casos subnotificados. No Brasil, já passamos de 15 mil casos notificados anualmente, com uma tendência preocupante de crescimento entre os jovens.

 

A maioria dos casos de suicídio está diretamente relacionada a doenças mentais nãodiagnosticadas ou não tratadas adequadamente. Esses casos poderiam ser evitados com informação e acesso a tratamento psiquiátrico. Em 2024, a mensagem é clara: “Se precisar, peçaajuda!” A conscientização e o suporte podem fazer a diferença na vida de muitas pessoas e contribuir para a prevenção do suicídio.

 

“O suicídio é uma questão de saúde pública e que pode ser prevenida. Não basta apenas fazermos campanha no mês de setembro. É preciso falarmos sobre o assunto 365 ao ano. E mais importante do que falar, precisamos de mais investimento em prevenção de doenças, fácil acesso a tratamento psiquiátrico adequado, incluindo medicamentos que poderiam ser disponibilizados por meio do sistema público de saúde e farmácias populares para que toda a população tenha acesso”, destaca Antônio Geraldo da Silva, presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria(ABP).

Suicídio, um problema mundial

Segundo o relatório Suicídio no Mundo – Estimativas Mundias de Saúde (Suicide in the world – Global Health Estimates, em inglês), o suicídio é um grave problema de saúde pública global. Está entre as vinte principais causas de morte em todo o mundo. Há mais mortes causadas por suicídio do que por malária, câncer de mama, guerra e homicídio. O suicídio atinge cerca de 800 mil pessoas todos os anos.

 

A OMS considera a redução da mortalidade por suicídio prioritária como meta global. A meta foi incluída como indicador nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

 

Para a Organização das Nações Unidas (ONU), as principais intervenções que demonstraram sucesso na redução de suicídios são: orientar a mídia sobre a cobertura responsável do tema; implementar programas entre os jovens para desenvolvimento de habilidades que lhes permitam lidar com o estresse da vida; identificação precoce, gerenciamento e acompanhamento de pessoas em risco de suicídio.

É preciso ficar atento às crianças e aos jovens

O mês de setembro marca a campanha de conscientização sobre prevenção ao suicídio, denominada Setembro Amarelo. A proposta é chamar a atenção para a importância de discutir e promover ações sobre o suicídio. O tema da campanha este ano é “Se precisar, peça ajuda!”

 

Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que o suicídio é a terceira causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos. É também a sétima causa de morte de crianças entre 10 e 14 anos de idade. O caminho, segundo o médico Antônio Geraldo da Silva, é adotar medidas preventivas de ajuda e auxílio.

 

“É uma maneira de a gente salvar vidas porque 90% dos suicídios poderiam ser evitados se as pessoas tivessem acesso a tratamento e pudessem tratar a doença que leva ao suicídio”, afirmou.

 

Segundo o psiquiatra, em geral, a maior parte das pessoas que tenta colocar fim à vida sofre de algum tipo de transtorno mental.  

 

“Os estudos mostram que 100% de quem se suicida têm uma doença mental. Os trabalhos mostram isso. Nem 100% de quem pensa em suicídio têm doença mental, mas 100% de quem suicida têm transtorno mental”, afirmou.

 

O médico acrescentou: “Se a gente negar que a doença mental existe, como vai falar de suicídio, sabendo que 100% de quem suicida têm doença mental?”.  “É uma doença como outra qualquer. Não escolhe raça, cor, nada”.

 

Drogas

O psiquiatra Jorge Jaber, membro fundador e associado da International Society of AddictionMedicine, especialista no tratamento de dependentes químicos, ressaltou que o uso de álcool e drogas é o segundo fator depois das doenças psiquiátricas, como ansiedade e depressão, que leva ao aumento de suicídios.

 

Segundo ele, o suicídio é a causa de morte mais facilmente evitável entre todas as doenças. “Enquanto doenças infecciosas, cardiovasculares e tumores precisam de grande aporte médico e cirúrgico de alto custo, o impedimento médico do suicídio pode ser atingido com remédios bem mais baratos e somente conversando com o paciente.”

 

Para Jaber, o fundamental é dar atenção e escutar aquele que pensa em cometer o suicídio. “O fato de alguém que tenta suicídio ser escutado por cerca de 20 minutos pode impedir que ele tenha o impulso de cometer o ato. Ouvir o suicida salva a vida dele”.

 

Na clínica onde atende dependentes químicos, Jaber informou que pelo menos 20% dos pacientes internados tentaram suicídio. “Quanto mais as pessoas falarem sobre o suicídio, menos suicídios ocorrerão” disse.

 

Crescimento de ataques virtuais acende alerta sobre suicídio

Apesar de ser um grave problema de saúde pública, com tendência de crescimento nos próximos anos, pois acompanha a expansão de doenças como a depressão, o suicídio ainda é um tabu. Dificuldade de obter dados, preconceito e medo de estimular a prática ao falar sobre ela são fatores que dificultam a discussão e o desenvolvimento de políticas públicas, segundo estudos e especialistas consultados pela Agência Brasil.

 

Não muito tempo atrás, o silêncio que ronda o tema foi quebrado com a divulgação do Baleia Azul, o jogo virtual que envolveria o estímulo às mutilações corporais de jovens e até ao suicídio. O game virou tema de novela e mesmo de operação da Polícia Federal, que prendeu acusados de aliciar crianças e adolescentes por meio do Baleia Azul.

 

O fato trouxe à tona uma realidade comum: a ocorrência do assédio virtual, também chamado de cyberbullying. O debate sobre o delicado tema é estimulado este mês, no âmbito do SetembroAmarelo, para sensibilizar a sociedade para a prevenção ao suicídio.

 

Além do jogo, casos como o do jovem americano Tyler Clementi, de 18 anos, que se suicidou após ter fotos íntimas divulgadas pelo colega de dormitório, e da britânica Hannah Smith, de 14 anos, que se matou após receber ofensas na rede, têm chamado a atenção de pesquisadores e instituições públicas.

 

Segundo o integrante do Grupo de Estudo e Pesquisa em Suicídio e Prevenção (GEPeSP), Pablo Nunes, não há estudos confiáveis que comprovem a ligação direta entre crescimento do número de suicídios e ataques nas redes sociais. No entanto, indícios dessa relação pedem atenção ao ambiente online.

 

“O fato é que a popularização da internet tem propiciado a circulação de informações sobre métodos de se suicidar e a proliferação de grupos de pessoas em sofrimento. Nesses grupos, os participantes discutem meios, lugares e ‘encorajam’ uns aos outros. No caso da automutilação, são centenas as páginas e grupos dedicados. Em muitas escolas o fenômeno já virou problema sério”, explica Pablo Nunes.

 

Além disso, o pesquisador destaca que o anonimato faz das mídias sociais um ambiente favorável para ataques.

Tipos de depressão e riscos que acarretam

Especialistas alertam para necessidade de acompanhamento médico

Incluída no rol dos transtornos mentais, a depressão é uma doença psiquiátrica comum, que se caracteriza por tristeza persistente e falta de interesse em realizar atividades que antes eram consideradas divertidas. A depressão pode afetar pessoas de todas as idades, desde bebês a idosos. Entre os tipos mais comuns da doença estão a depressão maior, a bipolar, a pós-parto, os transtornos depressivos induzidos por outras substâncias ou medicamentos, entre outras. A distimia, por exemplo, é um tipo de depressão crônica e incapacitante, que apresenta sintomas leves a moderados de tristeza, sensação de vazio ou infelicidade.

 

“Todas precisam de acompanhamento médico adequado pois, se não tratadas, essas doenças podem levar ao suicídio”, afirmou o presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), Antonio Geraldo da Silva. A campanha Setembro Amarelo, realizada anualmente neste mês pela ABP, chama a atenção sobre a depressão e os perigos que ela pode causar.

 

“Praticamente, todos os casos de suicídio são relacionados aos transtornos mentais, principalmente os não diagnosticados ou tratados incorretamente. Dessa forma, a maior parte dos episódios fatais poderia ter sido evitada com as informações corretas sobre saúde mental e doenças psiquiátricas”.

 

O doutor Antonio Geraldo Silva esclareceu que, devido à sua alta prevalência, a depressão é a doença mais associada ao suicídio. “Não só durante a campanha Setembro Amarelo®️, como em todos os meses, a ABP cumpre sua principal missão, que é disseminar conteúdos relevantes sobre saúde mental para a sociedade, atuando na conscientização da sua importância e na prevenção das doenças mentais”.

 

Fatores de risco

Segundo informou o especialista, alguns fatores de risco podem levar uma pessoa à depressão. “Existem diversos fatores que podem ser considerados gatilhos e causam impacto no desenvolvimento de uma doença mental, como causas genéticas, que chamamos de genótipo, e os fatores ambientais, os fenótipos. São duas características que, quando combinadas, determinam se a pessoa desenvolverá ou não qualquer tipo de doença”. Silva explicou que o ambiente no qual o indivíduo está inserido e seu comportamento também contribuem para o desenvolvimento de doenças mentais como, por exemplo, conflitos familiares, dificuldades financeiras, problemas no relacionamento, a influência da mídia e das redes sociais. Essas situações podem ser fatores potencializadores para o surgimento de uma doença mental. “Sendo assim, isso também tem impacto no comportamento suicida”, disse o psiquiatra.

 

Além dos fatores ambientais e genéticos, o presidente da ABP lembrou que outros fatores podem impedir o diagnóstico precoce das doenças mentais e, consequentemente, causar impacto na prevenção do suicídio, levando ao aumento de casos, como o estigma e o tabu relacionados ao assunto. “Esses são aspectos importantes que impactam negativamente nos portadores de doenças mentais e no comportamento suicida”. “Praticamente, 100% das pessoas que tentam ou cometem suicídio têm alguma doença psiquiátrica, diagnosticada ou não. As doenças mais relacionadas ao suicídio, além da depressão, são transtorno bipolar, transtornos relacionados ao uso e abuso de álcool e drogas, transtorno de personalidade e esquizofrenia.

 

Antonio Geraldo da Silva afirmou que a pessoa diagnosticada com depressão precisa ter uma rede de apoio de familiares ou amigos. “A família e os amigos são fundamentais na busca por ajuda e no apoio ao tratamento. Muitas vezes, são os primeiros a perceber que há algo de diferente e apontar a necessidade de buscar auxílio psiquiátrico”. Os sintomas depressivos variam de pessoa para pessoa, mas os mais comuns são tristeza, fadiga, distúrbios de sono, alterações no peso, baixa autoestima, perda de energia, dificuldade de concentração, redução de interesse em atividades anteriormente prazerosas e no contato com pessoas, ideias suicidas.

 

Buscando auxílio

É sempre bom ressaltar que somente um médico ou profissional da área de saúde pode diagnosticar corretamente a depressão. O presidente da ABP ressaltou que uma vez que se nota prejuízo no comportamento do indivíduo, ou seja, quando os sintomas começam a atrapalhar a vida da pessoa, é hora de buscar um psiquiatra para avaliar o quadro. “Ansiedade e tristeza são características normais do ser humano mas, a partir do momento em que nos impedem de sair de casa, trabalhar, levar uma vida social ativa, nos relacionar com outras pessoas, devemos procurar auxílio”.

 

Para ajudar uma pessoa depressiva, deve-se orientá-la a buscar cuidados, um tratamento especializado para a doença. “Se a pessoa tem sintomas depressivos, ela precisa e merece procurar ajuda com um médico psiquiatra, que vai indicar e oferecer o melhor tratamento possível”.

 

O médico lembrou também que os quadros depressivos precisam ser tratados com cuidado e urgência. “Não podemos deixar a doença envelhecer. Se a pessoa está mostrando que tem os sintomas, devemos ajudá-la a procurar um médico para fazer o diagnóstico, entender qual tipo de ajuda ela vai precisar e iniciar o tratamento imediatamente”.

 

Ansiedade e depressão são os principais vilões da saúde mental

Uma em cada oito pessoas vive com alguma doença ou transtorno mental no mundo. Ansiedade e depressão são os mais comuns e chegam a representar 60% dos casos. Enquanto os jovens estão especialmente sujeitos à ansiedade, os mais velhos convivem mais com depressão, segundo dados do último Relatório sobre Saúde Mental no Mundo, publicado pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

 

As consequências do adoecimento mental envolvem desde o aumento dos gastos com saúde e a queda na produtividade econômica, em razão de afastamentos do trabalho, até a perda de vidas. O suicídio é estatisticamente responsável por mais de uma em cada 100 mortes no mundo.

 

Saúde mental é um direito básico de todo indivíduo e condição, tanto quanto a saúde física, para o desenvolvimento pessoal e, em última instância, da sociedade. Em linhas gerais, refere-se à condição de bem-estar em que a pessoa é capaz de lidar com situações e emoções cotidianas, ter satisfação em viver, compartilhar e se relacionar com os outros, manter-se produtiva, enfrentar adversidades e contribuir para a comunidade em que vive. Fica claro, portanto, que a saúde mental é uma condição não apenas complexa, mas dinâmica ao longo da vida.

 

De forma geral, o adoecimento mental se manifesta a partir da associação de múltiplas causas, que podem incluir hereditariedade, desequilíbrio neuroquímico, exposição a condições estressantes (sociais, econômicas e culturais), dificuldade em lidar com emoções, uso de drogas lícitas ou ilícitas e vivência de traumas.

 

Ansiedade

O médico psiquiatra Leonardo Takeda explica que situações do dia a dia naturais da vida adulta, como as demandas pessoais e de trabalho, representam desafios para boa parte dos indivíduos, mas podem resultar em sobrecarga para outros. Eventualmente, somam-se a elas projetos pessoais desafiadores, como buscar um novo emprego ou uma melhor moradia. Os sinais de que as exigências estão demasiadas muitas vezes se manifestam no corpo.

 

Tremor, suor, coração acelerado, boca seca e sono prejudicado são alguns deles. Takeda comenta que esses são os sintomas de ansiedade que normalmente levam as pessoas a buscar atendimento médico em momentos críticos.

 

“É difícil identificar quando se está sobrecarregado. O adoecimento mental não é percebido logo de início, ele vem sendo acumulado até que chegam as crises”, complementa o profissional.

 

Takeda esclarece que a ansiedade fisiológica é um dos motivadores para a ação diante da vida. Ela é natural e positiva para o ser humano. Assim como também é natural ter variação nas emoções e, em alguma medida, sentir medos e inseguranças. O adoecimento acontece quando a ansiedade se torna generalizada e causa prejuízos físicos e emocionais.

 

“A ansiedade crônica tem relação com o medo e a preocupação antecipatória, o que torna a pessoa mais isolada, mais chorosa, gera um quadro que se assemelha ao depressivo. São diagnósticos diferentes, mas que se correlacionam”, detalha.

 

O médico esclarece ainda que a crise de ansiedade se manifesta de forma semelhante à crise de pânico, mas esta acontece em um contexto que está mais relacionado ao medo da morte. Assim, costuma ocorrer em situações específicas, como quando pessoa está em um local muito cheio ou fechado.

 

Dicas para uma vida mais saudável

Cuide-se

Para ter saúde mental, é preciso fazer o manejo do estresse e respeitar os próprios limites nos mais variados aspectos da vida – não apenas não apenas na relação entre trabalho e descanso. Além disso, é essencial fortalecer alguns pilares:

 

Exercício físico

Favorece o bem-estar mental. Estudos demonstram que pessoas que tomam medicação e pessoas que fazem exercício físico têm resposta semelhante em relação a quadros de depressão e ansiedade.

 

 

Espiritualidade

Relativa à crença em algo que transcende o físico, mas não significa necessariamente religiosidade. Há evidências de que a espiritualidade está associada a maior positividade diante da vida e, consequentemente, a menores níveis de estresse, depressão e suicídio.

 

Sono

Bons hábitos de sono levam a um descanso reparador, necessário tanto para a saúde física quanto mental.

 

Alimentação balanceada

Evite produtos industrializados e com excesso de gordura e açúcar. Oscilação na glicemia pode interferir no humor e na disposição.

 

Autoconhecimento

A psicoterapia pode ajudar a aliviar traumas, definir melhor objetivos de vida e desenvolver estratégias e recursos para lidar com situações adversas.

 

Relações interpessoais

Interações sociais positivas geram bem-estar e favorecem a formação de uma rede de apoio, que é um antídoto contra depressão, especialmente na velhice.